domingo, janeiro 26, 2014

Collecção | das Leys | Promulgadas, | e | Sentenças | Proferidas | nos Casos | da Infame Pastoral | do Bispo de Coimbra | D. Miguel da Annunciação: | Das Seitas | dos Jacobeos, e Sigillistas, | Que por Occasião della Se Descubriram | Neste Reino de Portugal: | E de Alguns Editaes | Concernentes às Mesmas Ponderosas Materias



Lisboa, 1769
Na Regia Officina Typografica
1.ª edição
16,7 cm x 11 cm
4 págs. + XIV págs. + 522 págs. (4 págs. brancas entre as págs. 252-253) + 4 págs.
inclui: Sentença da Real Meza Censoria Contra a Pastoral manuscrita, e datada de 8 de Novembro proximo passado, que o Bispo de Coimbra D. Miguel da Annunciação espalhou clandestinamente pelos parocos da sua diecese, proferida no dia 23 de Dezembro de 1768; Juizo Decisivo que a Real Meza Censoria com o pleno concurso de todos os seus deputados e assistencia do Procurador da Coroa estabeleceo de uniforme acordo nas repetidas Sessões, que nella tiveram em execução do Decreto de 18 de Janeiro de 1769 em que Sua Magestade mandou ver, e consultar o Livro intitulado Theses, Maximas, Exercicios, e Observancias Espirituaes da Jacobea; Memorial sobre o scisma do sigillismo que os denominados jacobeos, e beatos levantaram neste Reino de Portugal dividida em duas partes e apresentado na Real Meza Censoria pelo Doutor Joseph de Seabra da Silva Defembargador da Cafa da Supplicação, e Procurador da Coroa de Sua Magestade; Provas; Ley de Sua Magestade contra o erro dos Sigillistas; Edital do Conselho Geral do St.º Officio contra os erros dos Jacobeos, e Sigillistas; Sentença da Real Meza Censoria; e Editaes da Real Meza Censoria
encadernação da época inteira em pele com elegante gravação a ouro na lombada e no rótulo, corte marmoreado, boas margens
exemplar muito estimado; miolo limpo, papel sonante
PEÇA DE COLECÇÃO
425,00 eur (IVA e portes incluídos)

«D. Miguel da Annunciação [teve no seculo o nome de Miguel Carlos da Cunha], Bispo de Coimbra, e Conde de Arganil, sagrado a 12 de Fevereiro de 1741. Foi natural de Lisboa, nascido a 28 de Fevereiro de 1703, e filho de Tristão da Cunha e Ataide, primeiro conde de Povolide [e de D. Archangela Maria de Tavora]. Na Universidade de Coimbra, onde foi porcionista no collegio de S. Paulo, recebeu o grau de Doutor em Direito canonico, e estava já despachado Conductario com privilegio de Lente, quando movido por umas missões que em Coimbra fizeram os dous varatojanos Fr. Affonso dos Prazeres [...] e Fr. Manuel de Deus [...], resolveu‑se a seguir a vida claustral, tomando o habito dos conegos regentes no mosteiro de Sancta Cruz a 26 de Abril de 1728. No anno de 1737 foi eleito Geral d’aquella congregacão, e pouco depois nomeado por el‑rei D. João V, Bispo de Coimbra, como fica dito. Governou aquella diocese por mais de vinte e septe annos, até que sendo havido como chefe e fautor das seitas dos jacobeus e sigillistas, e tendo publicado em 8 de Novembro de 1768 uma celebre Pastoral que a Meza Censoria declarou por sentença falsa, sediciosa, e infame, foi expulso do bispado, e por ordem do Marquez de Pombal encarcerado no forte de Pedrouços [Junqueira], onde jazeu durante oito annos, e teria provavelmente de acabar seus dias, se não sobreviesse a morte d’el‑rei D. José, e com ella a soltura dos presos d’estado. Posto em liberdade a 23 de Fevereiro de 1777 voltou para Coimbra, justificado pela rainha D. Maria em uma carta regia mui honrosa, e reassumiu o exercicio do episcopado de que a morte o provou depressa, falecendo a 29 de Agosto de 1779. [...]» (Inocêncio Francisco da Silva / Brito Aranha, Diccionario Bibliographico Portuguez, tomos VI e XVII, Imprensa Nacional, 1862 e 1900)

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quinta-feira, janeiro 23, 2014

Exercício Sobre o Sonho [aliás*: Sono] e a Vigília de Alfred Jarry seguido de O Senhor Cágado e o Menino


ANTÓNIO MARIA LISBOA

Lisboa, s.d. [1958]
A Antologia em 1958 (ed. Mário Cesariny de Vasconcelos)
1.ª edição
18,9 cm x 13,3 cm
36 págs. + 1 folha em extra-texto
dístico: «Semente Raiz Tronco Flor Fruto Flor Tronco Raiz Semente»
composto em Bodoni e impresso sobre papel superior
exemplar como novo
RARA PEÇA DE COLECÇÃO
320,00 eur (IVA e portes incluídos)

Nascido na capital a 1 de Agosto de 1928, levado pela tuberculose a 11 de Novembro de 1953, não é exagero considerá-lo o cerne da corrente libertária no que veio a ser o surrealismo em português. «[...] Partido da libertação surrealista», escreve Cesariny no livro abaixo referido, «o pensamento poético de António Maria Lisboa aprisionou a ave hierática com que, até hoje, só os asiáticos e certos primitivos têm modulado a chamada vida prática. (Mas não foram os poetas chineses os criadores, há 2062 anos, do jogo poético colectivo “inventado” pelos surrealistas há dois dias?) Os termos da obra de António Maria Lisboa, de um desenvolvimento extra-individual de aferição da Verdade, da Justiça e do Bem, não inquirem, impõem as condições da sua perenidade.»

* Mário Cesariny dá notícia desta gralha tipográfica na 1.ª edição do livro Poesia, de António Maria Lisboa, na colecção Documenta Poética da antiga Assírio & Alvim (Lisboa, 1977), ainda hoje a mais correcta reunião do legado do poeta... porque a sua reedição, volvidos quase vinte anos, é um modelo de bom comportamento editorial que não se coaduna com o conteúdo.

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terça-feira, janeiro 21, 2014

Evangelho de S. Vito



MARIO SAA

Lisboa, 1917
Monteiro & C.ª – Livraria Brazileira
1.ª edição [encapamento de 1921]
17,7 cm x 12,2 cm
2 págs. + 240 págs. + 2 págs.
exemplar bem conservado apesar dos sinais de traça na lombada; miolo limpo, em parte por abrir
valorizado pela dedicatória manuscrita do Autor ao liberal Carlos Augusto Portugal Ribeiro
peça de colecção
310,00 eur (IVA e portes incluídos)

Trata-se da primeira obra impressa de Mário Saa, «[...] obra de carácter aforístico, onde não deixa de ser notória a influência das obras de Nietzsche, algumas das quais intensamente anotou [...]» (segundo os autores do Dicionário Cronológico da Autores Portugueses, vol. III, Publicações Europa-América, Mem Martins, 1994).

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A Explicação do Homem

MARIO SAA

Lisboa, 1928
[ed. do Autor]
Imprensa Lucas & C.ª
1.ª edição
19,6 cm x 14,3 cm
268 págs.
subtítulo: Atravez duma Auto-explicação e em 207 Táboas Filosóficas
composto manualmente
encadernação muito recente inteira de pele, irrepreensivelmente nova, com discretos ferros modernistas (tipo futura impresso a preto) na lombada
exemplar estimado, miolo limpo
sem capas de brochura
ostenta a dedicatória do Autor a Américo Cortez Pinto, «[...] o amigo do meu lado!»
peça de colecção
280,00 eur (IVA e portes incluídos)

Diz-nos o Dicionário Cronológico de Autores Portugueses (vol. III, Publicações Europa-América, Mem Martins, 1994):
«[...] Nessa diversidade de trânsitos expressivos [entre o cosmopolitismo da Orpheu e o regresso do espírito agrário na Presença] afirma-se uma criatividade que, embora de vincado recorte modernista, não enjeita as raízes da tradição e até um certo gosto da sugestão arcaizante. [...]» Refere ainda o mesmo dicionário: a «[...] incursão, aliás pouco convincente, por um sociologismo de pretensa fundamentação rácica [...]».
Será, neste particular, talvez o mais interessante livro de Saa, ou, pelo menos, o mais procurado.

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segunda-feira, janeiro 20, 2014

Canções


ANTONIO BOTTO
capa de Fred Kradolfer

Lisboa, 1932
Edições Paulo Guedes
nova edição definitiva (17.º milhar)
17,8 cm x 12,8 cm
208 págs.
subtítulo: Nova Edição Definitiva de Toda a Obra Poética do Autor com Oito Canções Inéditas e um Estudo Crítico de Teixeira Gomes Antigo Chefe de Estado
composto manualmente
exemplar com o miolo em estado muito aceitável, com alguns picos de humidade; assinatura de posse no frontispício
peça de colecção
130,00 eur (IVA e portes incluídos)

Diz Manuel Teixeira-Gomes na Marginalia que encerra o volume: «[...] Ah! como se pode ainda pôr em duvida que o amôr opéra milagres. Se milagres ha ou houve jamais, é no amôr que se lhe deve procurar a origem, porque só elle possue o dom divino de os fazer. A inspiração poetica é um milagre do amôr, que se revela rythmado, á semelhança do pulsar do coração... [...]»
Acrescentamos que a homossexualidade do autor acabou por, na boca depreciativa da crítica “literária” da sua época, sobrepor-se à excelência da sua arte.

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Canções


ANTONIO BOTTO

Lisboa, 1932
Edições Paulo Guedes
nova edição definitiva (17.º milhar)
17,7 cm x 12,7 cm
208 págs.
subtítulo: Nova Edição Definitiva de Toda a Obra Poética do Autor com Oito Canções Inéditas e um Estudo Crítico de Teixeira Gomes Antigo Chefe de Estado
composto manualmente em Elzevir
luxuosa encadernação inteira de pele com nervuras pontuadas e ferros a ouro nas pastas, na lombada e nas seixas
aparado, sem capas de brochura
exemplar em bom estado de conservação; miolo limpo
peça de colecção
95,00 eur (IVA e portes incluídos)


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Os Sonetos de [...]


ANTÓNIO BOTTO

[Lisboa], 1938
[s.i.]
[1.ª edição]
19,3 cm x 13,2 cm
48 págs.
composto manualmente
exemplar com restauro na lombada, mas no geral aceitável
exibe na capa e na folha de ante-rosto o carimbo da Livraria Moraes
50,00 eur (IVA e portes incluídos)

Acresce a este conjunto de 31 sonetos do Poeta uma Marginália crítica que se divide por João Gaspar Simões, Augusto Pinto e Luiz Forjaz Trigueiros. Outros são chamados a defender uma obra perseguida mais pela homossexualidade do seu autor do que pela eventual falta de qualidade estética, e tanto António Patrício como Raúl Brandão e Fernando Pessoa apõem aí o seu selo de reconhecimento. «Tôda a moderna poesia portuguesa nos mostra a poderosa influência da poesia de António Botto – diz Pessoa. – A poesia de António Botto é uma antecipação genial.»

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